Se esta é a sua primeira vez neste blog leia na coluna da direita as instruções!

8 de jul. de 2008

Matéria sobre o Contardo

Sabatina / Contardo Calligaris

Em sabatina, o psicanalista , escritor e colunista da Folha diferencia "perdedores' e "infelizes' e comenta depressão em jovens

Projeto de felicidade leva à insatisfação, afirma Contardo

O PROJETO DE SERMOS felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, requisito da sociedade de consumo. A afirmação é do psicanalista Contardo Calligaris, 59, colunista da Folha, sabatinado ontem pela manhã num Teatro Folha lotado, em SP. Entrevistado pelos jornalistas da Folha Marcos Augusto Gonçalves, Cleusa Turra, Marcos Flamínio Peres e Ivan Finotti, Contardo falou de remédios ("Lexotan acho legal"), relação de pais e filhos ("os adultos deveriam parar de pedir para que jovens sejam felizes") e o valor da solidão ("Não sou gregário. Coletividade grande, tenho alergia").

FELICIDADE
O verdadeiro perdedor é aquele que, na última hora, olhando para trás, vai ter a impressão de que desperdiçou a sua corrida. O que ele acumulou, tudo isso me parece bastante acessório. Para mim, o perdedor é aquele que não conseguiu viver sua vida com toda a intensidade que ela merece. O que não tem nada a ver com felicidade. O projeto de sermos felizes é profundamente errado, concebido para nos manter na insatisfação, o que é absolutamente necessário na sociedade de consumo. O ganhador é quem teve uma alta qualidade de experiência, seja qual for, que tenha sido intensamente. A felicidade, eu sou contra. Sexo não é felicidade, é alegria.

REMÉDIO X ANÁLISE
Lexotan eu acho legal. Primeiro, porque eu não estou nada convencido de que haja qualquer oposição de fundo real entre a psiquiatria, ou a neuroquímica, e a psicanálise, ou as terapias pela palavra de modo geral. As pesquisas que existem dizem não somente isso mas que, enquanto intervenções, elas se fortalecem. Usar antidepressivos ajuda as pessoas diagnosticadas com depressão em 36% dos casos. A psicoterapia pela palavra também ajuda as pessoas em 33%, 34% dos casos. As duas coisas juntas, por uma razão misteriosa, se fortalecem e ajudam 64%, 65% das pessoas. Segundo, existe uma questão de fundo: sou materialista. Acredito que o afeto, a emoção ou o pensamento tenha ou deva ter algum dia uma descrição neuroquímica absolutamente apropriada.

ABUSO DE REMÉDIOS
Não tenho nada contra o uso de medicamentos, mas tenho bastante contra o uso indiscriminado de psicotrópicos, sobretudo no caso da depressão. Acho que os antidepressivos têm de ser prescritos num caso de depressão, e não simplesmente porque o cara não está feliz. Há uma certa tendência nessa direção. E pior ainda no caso da adolescência e da infância, em que o uso de psicotrópicos está se tornando um caso muito sério. Porque os pais não agüentam nem um pouco a infelicidade dos filhos, seja qual for a idade deles. Existe uma intervenção neuroquímica cada vez maior em adolescentes. Na infância e na adolescência, a gente vive momentos alegres e tristes. E uma das razões pelas quais a gente faz filhos é para que eles encenem uma felicidade que não temos. Se o cara não sorri, pílula. Sou contra isso.

ADOLESCENTE
A adolescência de fato, como uma idade separada da vida, é recente, pós-Segunda Guerra, quando os adultos começam a criar uma fase da vida específica à qual atribuem algumas características como rebeldia, insubordinação. O que sobrou de desejo de sair daquele cenário de "american beauty" [beleza americana], de desejo de aventura, foi pendurado nas costas dos adolescentes. Eles é que se encarregariam da nossa rebeldia, nossa vontade de sermos outros, de realizar sonhos que não conseguimos nem confessar a nós mesmos. Os adolescentes se encarregaram disso muito bem, até porque são excelentes intérpretes do desejo dos adultos.

DEPRESSÃO EM JOVENS
A vida deles [crianças e adolescentes] não é engraçada. Não acho uma idade legal: essa é uma visão idealizada dos adultos. A infância e a adolescência são épocas muito problemáticas da vida. Na infância, estamos longe de corresponder fisicamente e simbolicamente ao que a gente deseja; a palavra da gente é atropelada. Na adolescência, é pior ainda. São épocas de extremo conflito interno, definição identitária, descoberta de fantasias e orientação sexuais. Eu acho que os adultos deveriam parar de pedir para que os jovens sejam felizes, porque isso só serve à vontade que eles têm de ver nas crianças um espetáculo de felicidade.

SEXO NA VELHICE
Há um imaginário social de que a pessoa a partir de certa idade deveria estar acima disso, dessas "baixarias". Durante décadas, a idéia era de que a menopausa era fim não da fecundidade, e sim da feminilidade. Eu fui treinado muito bem. Tive uma avó que adorava. E que, aos 70, 75 anos, ainda era cantada na rua. Uma vez, ela estava sentada no cinema comigo, e vi que chegou um cara e sentou ao lado dela. Achei estranho porque tinha outros lugares. De repente, ela levanta xingando o cara, me pega pela mão e troca de fileira. Ele havia colocado a mão na minha avó, o que demonstra que aos 75 anos rola. E que ela era muito bonita.

SÓ OU ACOMPANHADO?
Não me coloquei essa pergunta de forma radical, mas, de alguma forma, é uma questão que está ali o tempo inteiro. A gente tem sempre momentos em que precisa de uma certa solidão, de recolhimento interior. Sempre vivi com alguém, mas não sou gregário. Coletividade grande, tenho uma alergia séria. Situação gregária é qualquer situação em que o grupo me manda fazer coisas que não são exatamente as que quero fazer. Quando o grupo ameaça a minha individualidade.

MAIO DE 68
Eu militava na esquerda italiana. Tinha mais contato com a contracultura norte-americana do que com a cultura política européia, porque estava casado com uma norte-americana e ia ao país com freqüência. O que mais importava era a revolução na maneira de pensar e de se relacionar, era a utopia concreta, que estava na maneira de conviver de quem militava em 68. E essa utopia eu acho que vingou. Foi a única verdadeira revolução do século 20, ou a única de sucesso.

20 ANOS DE BRASIL
Vejo mudanças concretas enormes no Brasil de 1986 até hoje. Cheguei a um país onde aconteciam coisas completamente inéditas para mim. As pessoas, por exemplo, compravam linhas telefônicas para investimento. Era um negócio estranhíssimo. Mas nunca achei o país provinciano. Nem naquela época. Especialmente SP, que é uma das cidades menos provincianas do mundo. Muito menos do que Paris e, num certo sentido, menos provinciana do que Nova York. E certamente menos do que uma cidade italiana.

fonte: Folha de São Paulo e http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=783
Assista em vídeo

Contardo

Hoje, às 19h30, tem palestra do Contardo Calligaris, psicanalista e colunista da Folha de São Paulo, na Livraria da Vila, na Al. Lorena, em São Paulo. Eu quero!

Frase

"...And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music".

Adoro essa frase de Nietzsche!
A Rosana Hermann postou hoje em seu blog e eu repliquei aqui.

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música".

7 de jul. de 2008

Academia

Vou dormir.
Amanhã acordo cedo. Vou desafiar a preguiça e ir para a academia.
Beijos de luz,
Aline***

Inspirações

O tempo todo tenho idéias, inspirações, pensamentos que gostaria de escrever aqui.
Infelizmente nem sempre cumpro a vontade, até porque quando sento para escrever nem consigo me lembrar das inspirações que fugiram...

O amor que choveu

Hoje minha irmã Adelita me enviou esse texto lindo do Antonio Prata:

O amor que choveu
Antonio Prata

Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).
O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?
O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.
O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.
Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.
Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.
Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.

Mais uma que sucumbe

Em uma cena do filme de ontem Carrie lê um conto de fadas para uma menininha e termina com o "...e eles foram felizes para sempre". Neste momenta ela se vira para a criança e acrescenta:
- Você sabe que é só um conto de fadas, né? Não é a realidade...
A menininha balança a cabeça como se dissesse que sim e depois pede:
- De novo!
Carrie lamenta sorrindo:
- Mais uma que sucumbe ao romantismo!

Fico me perguntando: será que essas histórias não foram contadas aos homens quando eles eram crianças? Por que os homens são tão diferentes? Não que algumas mulheres também não sejam, mas desconfio de que as que lêem o que escrevo são românticas como eu.

O passado

Vivo um pouco no passado.
Tenho mania de guardar meus rascunhos espalhados em cadernos velhos.
Tenho alguns diários antigos, recortes de jornal e bloquinhos usados de papel.
Tenho mais de 5 mil e-mails separados em algumas caixas postais.
Tenho uma caixa com cartas, fotos, cartões de natal e de aniversário que recebi.
Às vezes me pego relendo esses escritos e sorrindo.
Não quero me desfazer de nada!

Arte em cartaz

Quero assistir a esses filmes em cartaz:

- Longe dela,
- O escafandro e a borboleta,
- Medos privados em lugares públicos, e
- Um beijo roubado.

Quero assistir a essas peças:
- Alma Imoral, e
- Hamlet

Vou deixar a lista aqui para não esquecer.

Nada

Ainda não escrevi nada hoje...
Não porque nada tenha me tocado. Não porque algo tenha me tomado. Não sei ao certo porquê.

Cinema

Cheguei em casa agora. Após assistir Sex and the City e jantar no Fran's Café.
Não estava gostando do filme no início, mas do meio em diante fui curtindo mais. Talvez porque não tenha assistido a série precisei de um tempo para me adaptar com a história. Não sei.

Mas o filme imperdível que quero assistir logo é "O escafandro e a borboleta".

6 de jul. de 2008

Socorro!

Semana passada saí com uns amigos. São advogados e me contaram sobre um amigo delegado. "O homem é um anjo", pensei. Não aceita recompensa, luta pela justiça da forma mais limpa possível. Precisamos de gente assim.

Por outro lado ouvi que para desvendar um sequestro de criança ele teve que disfarçar-se para entregar a mala com o "resgate", rendeu um dos criminosos e o obrigou a dizer onde era o cativeiro.

É mesmo repgnante sequestrar. Sequestrar uma criança é inaceitável. Ele teve que bater muito no rapaz, se viu nesse direito, e quem poderia contestar? Pior, bater não foi suficiente, deu um tiro no pé. Conseguiu salvar a criança. Aplausos! Infelizmente quando aquele rapaz, cúmplice no sequestro, foi criança deve ter passado por muitos apuros à margem da sociedade. Ninguém soube, ou se soube nada fez. Para ele a salvação não chegou vestida como um homem que busca justiça...

Fico feliz que uma criança tenha sido salva, me entreisteço porque tantas sofrem e não vemos.

Para mim TODAS as crianças merecem ser salvas. E dentro de cada adulto há uma que pede socorro.

Frase de hoje

A riqueza do humano está contida nesta capacidade inesgotável de RECOMEÇAR! (Aline Ahmad)

Começar de novo

Preliminar
Nunca fui esportista.
Infelizmente.
Sempre carreguei a admiração, mas não tive a influência necessária para gostar de algo que jamais demonstrei talento.
Nunca torci muito para times de futebol.
Gostava de torcer para o Brasil, nas Copas do Mundo e só.
Por causa do colégio, em que vivi e que hoje me acolhe no trabalho que exerço, me reconheci torcedora muitas vezes. Talvez o Progresso, além do Brasil, tenha sido o único time com o qual me identifiquei. Mas isso nas competições escolares.

Namorar um técnico esportivo me fez pertencer a um time quase como atleta. Ouvir os relatos sobre os treinos, acompanhar o esforço, a dedicação, a renúncia, mesmo como observadora me fez muito próxima. Mais do que pude estar em qualquer fase da vida.

Meu namorado treinou o time todas as noites com absoluta resignação da vida pessoal. Algo que chegou a me revoltar por sentir-me deixada de lado, mas que com o tempo fez-me compreender que os treinos eram indispensáveis e que faziam parte de um caminho para um objetivo final que não podia ser acovardado, diminuído, comprometido. Esse entendimento me fez apoiá-lo, encorajá-lo e, até mesmo, compartilhar de sua resignação.

Ontem
Ele acordou cedo. O jogo, a final estadual do campeonato, seria às 16h mas ofereceria aos jogadores café-da-manhã e uma série de atividades que incluíam dinâmicas, vídeos, palestras, almoço. Tudo para que na quadra estivessem prontos e plenos.

Tudo foi registrado em vídeo, documentado.

Cheguei para o jogo ciente de que a festa estava pronta. Música, papel picado para o momento da premiação, bandeiras, o mascote para animar a torcida...

A partida
"Nossa"- porque eu me sinto parte dela, mesmo acompanhando distante - equipe estava entusiasmada, cheia de garra, não se via diferença entre os jogadores titulares e reserva. Todos tinham brilho no olhar e sede de vitória. Gritavam a cada passe, aplaudiam cada acerto, como gladiadores em uma arena que pudesse lhes valer a vida. Fizeram o primeiro gol e seguros impediram qualquer chance do time adversário. Estavam em casa, prontos, preparados. Até que uma pequena falha ocasionou o empate e menos de um minuto depois outro gol. O jogo tinha virado.

Eu observava ao longe a frieza de sua expressão. Pediu tempo. Conversou com os jogadores como um verdadeiro líder, sem abalar-se, confiante, esmiuçando detalhes táticos que pudessem reverter em seguida aquele placar.

Acabou o primeiro tempo. Eu sabia que ainda íamos ganhar. Isso era certo, preciso, merecido.

No segundo tempo o gol demorou a acontecer e em cada tentativa meu nervosismo e ansiedade me castigavam. Não me sentia nem um pouco confortável em assistir aquele placar desfavorável que ficava congelado, enquanto o tempo passava.

A contagem decrescente no painel eletrônico se aproximava cada vez mais do fim. E meu pensamento começava a voar para um final mais drástico. Só conseguia ver a derrota. O que diria a ele? Como consolá-lo por algo que estava me deixando desconsolada? Fui invadida por uma tristeza insuportável e nova. Nunca antes tinha experimentado algo assim por envolvimento com o esporte. Algo que me dilacerava.

Não consegui assistir os minutos finais. Fui para o carro tentar uma concentração positiva. Odeio ser invadida por pensamentos negativos. Para mim os pensamentos atraem a realidade. Ficava cada vez mais difícil imaginar a vitória, o abraço caloroso, o sorriso extremo.

Ouvi gritos. Voltei ao ginásio e vi um de nossos jogares pronto para fazer um pênalti (no futsal tem um outro nome que não me recordo e acontece quando o time adversário comete a sexta falta). Ele beijou a bola sentindo o peso da responsabilidade, aquele chute poderia salvar tudo. Empatariam o jogo. Não pude olhar, saí de novo do ginásio. Não consigo nem mesmo explicar em palavras as sensações que me tomaram. Entrei de novo e vi que o placar continuava congelado. Precisei perguntar para confirmar que era isso mesmo que estava vendo:
- Ele errou?
- Foi na trave!
Daí para frente não me lembro de mais nada. Mas devo ter voltado ao carro, porque não lembro da cena dos segundos finais. Lembro-me de ter visto meu namorado sendo entrevistado pela TV local enquanto o outro time comemorava e os papéis picados criavam uma chuva prateada no meio da quadra. Eu só queria chorar e desafogar minha tristeza. Tem coisas que fogem. A vitória ainda estava fugindo. Parecia uma miragem que ainda era possível tocar. Mas a imagem da perda ficava cada vez mais e mais próxima, só que não nos servia. Como vestir uma roupa que não nos serve? Estava grande, larga, não nos cabia e tinha que caber, pois era o único uniforme que sobrava naquele final de jogo quando o outro time estava vestido de vencedor. A primeira sensação é a negação. "Nego que isso me pertence", no entanto não há como escolher naquele instante. O tempo não volta. Um único minuto do jogo podia não existir e seríamos campeões. Um minuto e duas jogadas que mudaram tudo. Talvez para mim isso não tivesse problema. "O importante é competir". Mas para ele só importa vencer. Admiro seu jeito de não contentar-se com menos, de almejar somente o topo. Isso me faz prever o seu futuro. Sei onde ele vai chegar.

Depois do jogo
Assim que terminou a entrevista atravessei a quadra e o abracei com o mesmo orgulho que teria com qualquer resultado, com qualquer placar, só que eu estava triste. Estava envolvida com a tristeza dele. E parecia que a tristeza dele tinha passado para mim. Ficou firme o tempo todo.

Quando entrou no carro falei:
"Tô com vontade de chorar, nunca torci tanto, nunca sofri tanto, nunca me senti assim, não entendo".
Ele sorriu ternamente com os lábios cerrados e abraçou minha cabeça me trazendo para o seu ombro.
- Pode chorar, minha linda.
- E depois de tudo você ainda tem que me consolar... Desculpe-me.
- Mas consolando você eu também me consolo.

Passamos o final da tarde e início da noite juntos e estranhei que ele não demonstrasse tristeza. Ia surgir em algum momento, quando caísse a ficha. Ao mesmo tempo achei que a minha tristeza o fazia ter companhia, amenizava sua dor.

No carro, antes de me deixar em casa olhei para ele e falei:
- Sabe, essa não era a final.
Ele me olhou com atenção sem dizer nada e continuei:
- Não era a final porque este é apenas o começo. É um começo!
Ele esmiuçou um leve sorriso e seus olhos brilharam timidamente vislumbrando o futuro.

5 de jul. de 2008

Ligação

Ontem um amigo me ligou por motivos profissionais. Fazia tempo que não nos falávamos. Fui um pouco apaixonada por ele na adolescência. Depois nos encontramos pelo orkut e ele se tornou um admirador doce. Nosso contato não chega a ser nem virtual. Torço por ele. Aliás é inevitável diante de tanta ternura que percebo ele projetar em mim. Um doce! É bom captar doçura das pessoas. Impossível capturar, ela voa!

Ele me contou que vai casar, está "grávido". Sei que relacionamentos são complicados. Um momento inesperado e sem planejamento vai gerar um bebê. Conversamos um pouco e desejei do fundo do coração que, mesmo nas complicações e dores que o casal tem passado desde o início, o fruto precioso que virá possa sacramentar a paz e um novo amor entre eles. Agora não serão só um casal. Vai ser uma família.

Brigas, idas e vindas (coisa que sei não porque ele me contou, mas porque acontecem, e porque senti em sua voz) vão desmistificando o amor. Pode ser até que ele fique esquecido e abandonado embaixo de muita poeira. Ah... O amor, logo ele que merece o tapete vermelho para passar e o edredon aconchegante para ficar deitado embaixo, entre pernas enlaçadas.

Fiquei surpresa

Já comentei aqui que às vezes fico cabisbaixa, tristinha, parece que ninguém me lê... Eis que hoje acordo e encontro alguns novos cometários. Fiquei tão feliz!

Saber que alguém me acompanha nessas linhas perfuma o dia.

Bom dia!

4 de jul. de 2008

Sonhar é permitido

Continuando o raciocínio do post anterior...

O pior é que eu gosto mesmo é de "povão".
Adoro escrever de um jeito mais bem "elaborado" e ao mesmo tempo sonho em escrever um livro que esteja à venda em postos de gasolina e bancas de jornal. Em livrarias também, claro. É que os livros mais vendidos também ficam acessíveis nestes lugares. Sonho com isso!

Pensando

Eu me contagio com o que leio, como se o estilo pudesse passar para os meus poros. Mais que contágio, fico desejando escrever daquela forma...

Às vezes pego escritos meus de anos atrás e estranho, ou admiro. Fico querendo também. Olho para o que escrevo agora e às vezes acho primário. Dizem que escrevo bem, mas quase ninguém lê...

Poucas pessoas frequentam o blog com assiduidade. Talvez eu não seja uma escritora muito popular...

São apenas pensamentos.

Com-ple-ta-men-te

Algumas crianças me deixam com-ple-ta-men-te apaixonada. Todas as outras me deixam apenas apaixonada... [risos]

Jon* faz parte da primeira categoria.

Tem 7 anos, sorriso iluminado, pele negra e uma estrela. Ele já soma 55 gols só em campeonatos. Isso com 7 anos. Sinto que chegará a ser um ídolo brasileiro. Por isso temos tanto orgulho de oferecer a ele uma base educacional como sua alma merece e sua família espera.

Até hoje ainda não o vi jogar, mas ouço dizerem que o menino é como o Robinho. Sonho com sua entrada na seleção.

Tenho muitos sonhos para Jon e o maior é que ele possa realizar os que ele mesmo tiver para si.


Infelizmente mesmo sendo apenas uma criança Jon já enfrenta o preconceito. Alguns o tratam como inferior por ter na pele a marca de um povo sofrido. Eu, ao contrário, enalteço a ele e sua família pela honra de conhecê-los e por me permitirem participar de suas vidas como educadora dessa jóia rara.

*nome fictício

Reflexo

Nosso olhar sobre o mundo reflete quem somos.

3 de jul. de 2008

Convite ao blog

Pela primeira vez enviei um e-mail convidando alguns amigos ao meu blog:

Pessoa iluminada,

Amizade é uma coisa divina! Está fora do tempo e espaço, não é contada por distância ou ausência.

Na presença se consuma, mas a presença se descreve em nuances...

Falo da amizade que nos enlaça. Falo desta que nos une, mesmo longe, para justificar um contato.

Por meio deste contato quero fazer um convite ao meu íntimo, onde escrevo quem sou, mesmo ainda sem saber quem sou.

Acesse meu blog, deixe um comentário e me faça sorrir: www.beijosdeluz.blogspot.com

Beijos de luz,

Aline***


Se você for uma dessas pessoas iluminadas aproveite para me iluminar deixando um sinal de leitura(comentário).

Beijos de luz,

Aline***

Busco este lugar

Há um lugar, entre o sentimento e a história em que nossos pensamentos criam memória.
Busco este lugar.

Há um museu em que as artes e esculturas mostram as mais belas ternuras que o homem pode contemplar.
Busco este lugar.

Há um jardim em que as flores são emoções humanas e o perfume tem cheiro de fruta, exala o âmago infinito.
Já estive lá.

Há uma praia, na areia do deserto, onde árvores chegam perto e andorinhas cantam sobre o mar.
Busco este lugar.

Há uma aldeia onde crianças são rainhas, usam coroas de pétalas e governam uma comunidade. É o amor que reina lá.
Eu pertenço a este lugar.
(Aline Ahmad)

Jogo

Assisti ao jogo do Fluminense ontem à noite.
Meu namorado trabalha com esporte, é técnico. Isso me trouxe uma nova visão ao assistir um jogo.
Fico me perguntando: o que faz um time chegar até esse ponto de reverter um placar que começava em desvantagem pelo saldo positivo de gols do adversário, para depois perder nos pênaltis?
Por outro lado são quase que duas nações na torcida. Alguns sempre sairão arrasados com a derrota enquanto o outro time comemora a vitória. Eu me sensibilizo com isso. Não é só uma identificação com os perdedores e derrotados. Eu me solidarizo com o sofrimento humano.

Mudanças

Ontem, assim que voltei da caminhada fui ao shopping com o Du. Ele acha o máximo me levar para passear de agasalho e tênis. Porque ele me conheceu de salto e terno. Atribui essa mudança a ele. Não concordo plenamente, mas, em parte, a convivência vai deixando vestígios na maneira de ser. Preocupo-me com os bons vestígios! O amadurecimento nos faz escolher o que queremos mudar por nós, e não pelo outro.

Em meu primeiro namoro eu era inocente, mudei o que não devia, deixei de sorrir e ser feliz. Agora tentamos(eu e o Du) sempre equilibrar, deixar marcas profundas um no outro, que possam nos fazer melhor e que não se resumam a vestimentas. Buscamos algo mais profundo.

O que muda por dentro reflete fora.

2 de jul. de 2008

Amizade

Voltei.
Engraçado! Fui de uniforme do colégio, acho que passei por aluna, fiz o maior sucesso com os adolescentes... risos

Tão bom encontrar minha amiga. Temos uma afinidade enorme que nos permite as perguntas mais constrangedoras. Há tempos não nos falávamos com calma.

Sempre aprendo alguma coisa. Hoje mais que aprendizagem tentamos colocar nossas vidas em dia. Nossa amizade costumava ser presente e todo tempo de distância ou ausência sempre foi recuperado em longas conversas como a de hoje. Amanhã continuamos. O assunto nunca acaba. Sabe como é isso? Várias vezes tenho que ligar para contar algo que simplesmente não coube no tempo de nosso encontro e me fugiu da mente. Hoje lembrei de agradecer a indicação de uma aluna. Admiro muito a Rê e sinto uma reciprocidade gostosa. Ah... O que falar dos bons amigos? Quando nos deixam já começa a saudade!

Atividade

Acabei de voltar do trabalho e já vou direto para a caminhada no bosque. Há tempos não encontro minha amiga Renata. Exercício+papo é uma boa combinação!
Beijos de luz,
Aline***

Postagens

Há dias de postar mais, há dias de postar menos.
Espero que não chegue o dia de escrever bobagens...
Beijos de luz,
Aline***

Futsal

Hoje fui trabalhar.
Fiquei na internet buscando frases para preenchermos duas paredes do ginásio.
Sábado acontecerá a final do campeonata estadual de futsal.

1 de jul. de 2008

Acena

Publicado no fotolog em 07/05/2004:

Amor

Falas do amor pois só do amor que vale a pena,
Calas da dor que da minh’alma triste acena,
Olhas a flor que no jardim o corpo rarefeito exala
O mesmo perfume que, em silêncio, também fala.

Sintas na fé a força que emana algum vencer
O amanhã incerto sabe que vive.

Se me permite um outro verso bem pequeno,
Que em mim se esconde e em sua voz se faz sereno
Sei que de amor os seus ouvidos estão cansados
Mesmo pulsando um coração despedaçado
Porque sem amor a nossa alma é pequena
(Diz o poeta que então não vale a pena)
Insisto cantar a mesma canção que se espalha
Por longo silêncio sem que se ouça um triste riso.

Insisto em chorar as doces lágrimas que meu corpo emana
Para não dizer que não provei o que é ser.

Ainda há em meu colo,
Ainda que sem cor...

Se ainda existe amor, é dele que se fala!

Aline***
________________
Poema que escrevi em 03/10/2003, sobre um tema recorrente em minhas poesias: o amor. Escrevo sobre amor até quando não estou exatamente apaixonada. E vocês, estão?

Vocação errada

Na peça "Parem de falar mal da rotina", Elisa Lucinda (atriz e autora) disse algo tão pertinente... Que cada pessoa tem sua vocação. Que faz bem ao mundo ajudar as crianças a descobrirem a sua. Fazendo o que se gosta, o que se quer, cada um terá a oportunidade de, não só, ganhar mais como de contribuir com o seu talento para a melhoria humana. Disse ainda que, por exemplo, a enfermagem é uma profissão linda. Imagine passar a vida ajudando pessoas doentes a viverem melhor, ajudando na cura de pacientes, isto é, é uma profissão linda se a pessoa não tiver vocação para ser policial. "Aí, fica difícil", disse Elisa.

No caso, a auxiliar de enfermagem tinha vocação para ser criminosa.

Namoro

Hoje minha irmã me contou uma cena presenciada esse final de semana:

Um Audi A3 estacionar próximo a um prédio residencial. Ele sai do carro, nota-se que tem aproximadamente 80 anos. Um senhor alto, magro, de cabelos brancos. Dá a volta no carro e abre a porta do passageiro. Então ela segura em sua mão e sai do carro, pequena e doce, também idosa. Parecem dois jovens caminhando de mãos dadas em direção ao prédio.

Ela a deixa na portaria com um suave beijo e um abraço afetuoso. Volta ao carro e vai embora. São namorados.

Busque o "sim"

Somos todos inseguros. Nossas perguntas sempre podem ter como resposta sim ou não. Deixar de perguntar é continuar com o "não" que temos por antecipação. Perguntar é arriscar ouvir um "sim".

"Será que ela aceita sair comigo?"
"Será que ele gosta de mim?"

O "não" você já tem, se perguntar pode receber o "sim".
Não há como ficar pior do que está. Lute sempre pelo "sim".

*Co-autoria do post: Andreza Ahmad

Aquariano

Aquariano, aquariano,
É em você que penso,
Mas não é você quem amo.

Aquariano, aquariano,
Se mexe com meus instintos
Nem por isso meus princípios
Se tornam insanos.

Aquariano, aquariano,
Me castiga, me tira o sono.

Aquariano, aquariano,
Esse romance sem início
Não pode deixar vestígio
Porque é um engano.

*escrito em 1/07/2008 - 1h30 AM

Triste cena

Meu pai acorda e conta algumas notícias do jornal no café da manhã.
Fiquei triste em saber que no Mato Grosso um rapaz de 18 anos se perdeu na selva enquanto cassava com os amigos. Foi encontrado pelo pai, após 50 dias, sem as roupas, apenas de cueca, em um estado de quase morte. Não sobreviveu, aliás faleceu nos braços do pai.

A notícia do jornal Folha de São Paulo não está disponível para não assinantes e não encontrei nenhuma outra na internet. Agora encontrei.

Fez-me lembrar o fantástico filme: Na Natureza Selvagem

Orkut

Estava com esta simples frase em meu perfil do orkut:

O que não pode ser transmitido na singeleza de um olhar, tampouco pode ser dito em palavras.

Teve gente que copiou e não colocou os devidos créditos.
Acabei trocando por outro texto meu.
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