Se esta é a sua primeira vez neste blog leia na coluna da direita as instruções!

26 de jan. de 2010

Vaso de flores púrpuras

Se você fosse um vaso de flores
As mais belas seriam para enfeitar minha janela
Para lhe iluminar nasceria o sol
Para guardar sua alma faria uma capela

Eu lhe esconderia à noite
Privaria teu olhar das estrelas
Para que dormisse comigo
Tendo somente a visão das telhas

O sopro da manhã viria lhe o trazer anúncio do dia
Viriam lhe provar o néctar um enxame de abelhas
Um beijo de avelã deixaria suas pétalas púrpuras vermelhas
E eu lhe regaria de amor para que jamais estivessem extintas suas centelhas.

23 de jan. de 2010

Naquela manhã que eu não poderia descrever 2

(Continuação)
Tratava-se da rotina de uma pessoa prestes a reiniciar sessões de quimioterapia.
Meu pai, paciente de câncer, há 14 anos vivia como uma pessoa saudável. Uma cirurgia para retirada do baço e algumas sessões de quimioterapia faziam parte do passado. Ele se considerava curado até que um inchaço no pescoço e uma outra cirurgia feitas as pressas apontaram para o diagnóstico de um linfoma. A doença estava de volta, 14 anos depois da primeira incidência. O médico do meu pais pediu um exame e indicou o lugar que ele considerava mais confiável. Não ficava perto. Marcamos um horário mas o médico pediu para adiantarmos um dia. Desmarcamos. Remarcamos para um dia antes.

Naquela manhã que eu não poderia descrever, na sala de espera com meu pai...
(continua)

21 de jan. de 2010

Eliminação BBB10 - Palavras do Bial

Muitos entram no blog procurando as palavras de Pedro Bial no Big Brother Brasil. Ano passado eu costumava escrever aqui trechos do texto qu eele lê nas eliminações. Desta vez vai o vídeo para quem se interessar. Se arrumar tempo eu transcrevo qualquer hora.

Em uma manhã que eu não poderia descrever

Muitas histórias de amor passearam pela história da minha vida. Histórias sem beijo, ausentes de abraço, que só se fizeram viver porque respiraram pelo sopro do meu sonho.

Esta que pretendo contar teve início quando eu tinha 25 anos, muitas esperanças, quase nenhuma experiência. Se pudesse escolher, hoje, diria que nada seria diferente, mas na época eu era um poço de ansiedade de que o amor chegasse, de que me envolvesse e de que me levasse.

Para entender o depois é preciso conhecer o antes. Fui sempre a última da turma. O último primeiro beijo, com 14 anos. A última a namorar. Meu primeiro namoro foi aos 21. Dos 22, quando o romance terminou, aos 25, passei por um intervalo de curta dor, depois de alegria e, em seguida, de espera. Eu sempre esperava que um dia iria aparecer o homem da minha vida. É assim que funciona um coração romântico. Cada pessoa que aparecia eu me perguntava: "Será ele?"

Em uma manhã que eu não poderia descrever acompanhei meu pai em um exame de rotina.
(Continua)

19 de jan. de 2010

Normal

Um dia cheio.
Compromissos, reuniões, preocupações...
Eu invento um jeito
Não sei ainda direito qual
Sei que este dia não foi normal.

18 de jan. de 2010

Você e eu

Todos os amores são você e eu
E todas as histórias minha e sua
E mesmo não sendo eu e você
É do nosso amor que elas vivem

Tudo que escrevo
Embora não seja você e eu
É somente um amor que passeia pelas palavras:
O nosso
É somente ele que digo, e dele que falo
Até mesmo nas palavras que calo

Uma vez mais

Queria ver uma vez mais tua face
E decorar expressões que meu pensamento sozinho não recupera
Depois sentir aquecer minha própria mão
No olhar que desviava-se do meu
Queria sem querer
E sonhava sem fechar os olhos
Queria, e te querer me trazia medo
Por isso guardava segredo...

Mais que antes

Não sabes a importância que tens para mim
E contigo tuas palavras
Não sabes que de mim se escondem os dias passados
Com memórias que reinvento
Para me fazerem sorrir
De ti não posso tirar o engendrar real
Que tiveram fatos de valor maior para mim
Cabe-me o consolo de sonhar o presente
Como o passar do tempo que confere a minha presença, a ti,
Maior valor que antes.

Imprevisivel!

Entao em qualquer dia da vida
Em qualquer momento da existencia
Pode ser que meu coracao encontre abrigo
Onde antes via perigo
Pode ser que encontre o amor
Onde antes reconhecia um amigo
Porque viver e' mesmo muito imprevisivel...

Entrevista de Nahim Ahmad para a TV Guarulhos

Em 2006 fiz uma entrevista com meu pai para a TV Guarulhos. A entrevista fez tanto
sucesso que no mesmo ano fiz esta outra entrevista, disponível agora no youtube:

15 de jan. de 2010

Comentario da Claudia

Claudia, uma docura do blog Cacarinas me deixou esse presente como comentario. E eu, como agradecimento, compartilho esse lindo texto repleto de sensibilidade:

Aline,
vez ou outra choro quando leio suas palavras. Nunca de tristeza, sempre de beleza. Nunca pelo que aqui conheço da sua vida, muito pelo que você sente enquanto vive.
Isso eu desejo, que o ser humano descubra esse universo infinito que existe dentro dele. Isso eu contemplo em seus textos. Nas ações valiosas do seu pai, nas impressões que você tem, dele e da vida.
E então, sua dor compartilho, e esse olhar amoroso, multiplico.
Obrigada sempre pela partilha.
Um doce beijo em seu coração e em sua família.
Claudia


Acabei de visitar o blog dela e respondi:

Acabei de postar o seu comentario no meu blog e sabe que, lendo aqui suas palavras, somos irmas de alma. So' pode. Eu me identifico com o que voce sente e percebo que o inverso tambem e' verdadeiro. Rubem Alves, meu escritor querido, uma vez contou que um leitor lhe disse: "Quem te deu permissao para entrar dentro do meu coracao?" e ele prontamente respondeu "Eu nao entrei dentro do seu coracao, eu entrei dentro do meu coracao. So' que quando entrei la, voce estava dentro" . E' sempre assim, os textos que a gente gosta parece que sao feitos por nossas proprias palavras, as da alma. Vai ver, de certa forma foram escritas pela gente mesmo, so' que por outras maos.
Beijos de luz,
Aline***

O último contato consciente do meu pai

No meio da madrugada ele ligou. Nunca gostou de incomodar. Nunca quis demonstrar fragilidade. No meio da madrugada ele ligou. Não era ele, era minha mãe, seguindo um pedido dele. Eu atendi, mas não era exatamente comigo. Ele pedia a presença do meu namorado, Paulo, médico, pessoa que ele confiava e por quem manifestou afinidade espontânea desde o primeiro contato. Apesar de nao ser o medico do meu pai, por uma coincidencia, poderia ser ele, pela sua especialidade.

Chegamos no hospital minutos depois. Ele estava com uma máscara de oxigênio. Há dias o víamos assim. Queixou-se:
- Não estou conseguindo respirar. Se continuar assim eu vou...

Paulo se viu na condição que outras vezes já tinha vivido como profissional, mas não desta maneira tão próxima, pelo vínculo que me unia a ele e que, consequentemente, o unia a meu pai. Abaixou a cabeça para que pudesse olhar nos olhos enquanto dissesse:
- Olha Nahim, o que podemos fazer agora é entuba-lo, assim uma máquina irá respirar por você.
O rosto do meu pai emitiu um resquício de luz, uma modesta alegria e uma gota de alívio como se encontrasse a última saída. Foi como se abrissem para ele uma janela que lhe permitisse sentir o frescor do ar. Paulo já tinha me alertado no caminho que caso meu pai fosse entubado...
- O problema, Nahim, é que se você for entubado teremos mais dificuldade de faze-lo voltar.
Mais uma vez ele foi surpreendente. Respondeu sem se abater:
- Vamos pelo positivo!
Foi a última frase que ouvi dele. Abracei-o. Disse que o amava.

Tenho poucas cenas tristes para lembrar do meu pai, nosso contato foi sempre de muito amor, tanto que tem preenchido a minha vida mesmo agora, na falta dele. Entretanto algumas cenas do hospital me fazem doer um pouco. Vê-lo com um semblante cansado e sofrido como quando se lamentou:
- E eu estava tão bem...
Uma semana antes de piorar ele estava quase tendo alta. Ia voltar para casa.

Na madrugada em que fez sua última escolha consciente somente meu namorado pode acompanha-lo a UTI, por ser médico. Foi o último rosto conhecido que meu pai viu de olhos abertos. Paulo lhe disse:
- Pode deixar que eu cuido da Aline, da Andreza, da Adelita e da Avanil.

Meu pai assentiu com a cabeça e disse obrigado. Penso que seu rosto não deve ter manifestado emoção alguma, ele não tinha mais forças para isso. Mas seu olhar… Talvez pelo olhar fosse possível identificar a paz e felicidade de ouvir aquelas palavras, naquela hora, daquela pessoa.

14 de jan. de 2010

11 de jan. de 2010

Diario ou Literatura?

Sempre oscilo entre escrever literatura, poesia ou falar sobre a minha vida.
Sempre me pergunto o que de interessante posso acrescentar a quem vem aqui.
Mesmo quando escrevo literatura ou poesia e', de certa forma, da minha vida que falo.
Nao ha' como separar-me do que escrevo, porque e' o meu sentimento que caminha em minhas palavras, e nao outro. E' sempre o meu.

Esse ano ainda nao escrevi a mim mesma uma carta. Quero me propor (diferente de impor) novas metas. Preciso definir onde quero chegar. No amor e na vida. No sentir e no trabalho. No sonhar e no realizar. Organizacao e' bem-vinda!

7 de jan. de 2010

Nao e' comigo

Eu teria dito se tivesse visto
E teria visto se tivessem dito
Mas como ninguem disse nem viu
Tampouco eu.

Orfa de Pai

Muitas vezes esse blog foi um diario onde pousei meus dias. Outras vezes foi meu berco onde repousei minhas ideias, historia, alma. Voaram todas para ca, exceto as que ficam em mim. Sempre ha as que ficam.
Comecei esse blog como filha, hoje quase nao mais o sou. Sou orfa de pai. Neste momento me cabe a duvida. Posso ainda ser orfa? Para o dicionario orfao seria a "pessoa de menoridade privada de pai ou de mãe". Ja sou maior de idade. Mas tambem ha essa definicao: "que perdeu a quem estimava ou a quem o protegia". Nessa eu me situo.
Nada mudou e tanto mudou. Ate dessa forma e' positivamente que ele me atinge. Meu pai vive em mim. Pelo respeito a esse amor nao me permito sofrer.

Via Lactea

Ainda vou te levar para conhecer o ceu
Um ceu que eu mesma nao conheco.
Ainda vou te levar para ver o Sol
O Sol que nasce atras do planeta
Ainda vou te levar para dar uma volta
Viajar pela cauda de um cometa
Onde o ceu e o sol estiverem se despindo das cores
E onde forem um so corpo
Eu e voce tambem despidos
Confundidos com a lua
Eu e voce
Duas pessoas nuas
Sob o Universo
E nele tambem.

Ano

O ano comecou como que trazendo a agua para molhar, o ar para secar, o fogo para arder e a terra para equilibrar.

O ano comecou sem grandes surpresas ou esperancas para mim, mas com tragedias que vao deixar vestigio na lembranca.

Para mim restou a docura de quem mantem os olhos abertos e atentos. Ha' sempre beleza querendo ser vista. Merece o pousar das pupilas.

31 de dez. de 2009

Livro da vida

O que foi é página virada que quando ressurge é lembrança.
O que virá é página em branco que espera por ser escrita.
O agora é o vácuo da linguagem, o silêncio da atitude,
O agora está preenchido de vida.
De novos desejos vive o instante.

Feliz Ano Novo!

30 de dez. de 2009

Quando leio, outro texto se escreve em mim

Quando leio, outro texto se escreve em mim, cuja as palavras me dizem coisas que antes eu não conhecia o desejo de dize-las.
Quando leio, outra história se conta em mim. A minha própria. Cujo teor antes se escondia.
Como fugir do que eu mesma quero me dizer, sem saber?
Quando leio, despertam no pensamento palavras que dormiam, adormecidas ficam enquanto não as escrevo. Não mortas, somente dormem esperando nova leitura que as permita dançar ao som de outras uniões de letras. Outros sentidos as fazem viver. Ainda que não tenham sentido algum são minhas. Cada palavra que escrevo também eu as sou. Inclusive estas.

Ansiedade de escrever

Sinto imensa ansiedade de me comunicar.
Minha voz interna nunca se cala e quando silencia,
Ainda assim quer falar.
Quero dizer coisas
Das quais um dia pretendo me orgulhar.
Pretendo escrever.
Pretendo ver...
Além do visto, além do lido.
Até não poder mais escrever.

28 de dez. de 2009

As manhãs

Ele sempre gostava de nos acordar cedo, mesmo aos finais de semana. Eu e minhas irmãs ouvíamos sua voz anunciando o café-da-manhã que sempre trazia alguma novidade especial no sábado ou no domingo. Ou comprava pães de queijo, ou sonhos, e com sua alegria nos fazia levantar da cama para estarmos ao seu lado na mesa. Dizia:

- Pão quentinho, croissant de queijo, torta de frango...

Ele sempre descobria o que mais apetecia nosso paladar para tirar até o sono. Mal sabia que levantávamos mais para não perder um único minuto de sua companhia. Mesmo quando eu dormia tarde me assombrava a idéia de que o sono me privaria de viver bons momentos com ele e com a família. Valia a pena acordar mais cedo, cansada. Hoje é muito bom lembrar que vivi tudo isso com ele, por ele e por mim.

E eu continuo com a mesma mania. Se alguém que amo estiver acordado eu me esforço para não dormir. Não quero perder nem um instante ao lado da pessoa amada. Sempre parece que algo de especial pode acontecer quando eu estiver dormindo. Não gosto de perder nada! Quero vivenciar a vida de olhos e coração bem abertos e atentos.

24 de dez. de 2009

23 de dez. de 2009

Amor maior que a dor

Diante do falecimento do meu pai tenho sentido muito mais amor que dor.
Refletindo sobre isso pensei na seguinte provocacao, que vale para as ausencias fisicas de qualquer natureza:

"Se causa muita dor, desconfie do tamanho do seu amor".

O amor liberta. O amor e' a liberdade cuja a ausencia se mantem presa na gente.
Esse foi o aprendizado da ausencia dele. O meu amor o deixa livre para que viva, ate' mesmo a morte. E essa liberdade de que goza meu pai, que tanto amo, faz com que a ausencia dele seja uma presenca. Ele esta comigo. Eu sinto.

E' recente, mas ainda nao tive saudade, porque nao ha' como perceber a falta daquilo que existe e permanece. Sinto ele comigo. Aqui, por dentro, por fora, pelo sempre, pelo agora...

Agora meu pai nao e' mais carne, materia. A sua presenca se misturou com a minha de uma maneira que nunca antes tinha sentido. Agora somos inseparaveis. Eu nao preciso ouvir sua voz, sentir seu abraco, telefonar para saber como ele esta. Ele nao me faz mais falta, porque se misturou comigo. A voz dele se tornou minha propria voz interna. Nao tem timbre, so sabedoria.

Estou com ele como estou comigo, intrinsecamente, companhia inerente, alegria e seguranca que me faz melhor que antes.

Ele esta aqui como eu estou aqui, em tudo que sou, em tudo que me ensinou. Antes eu precisava ouvir o conselho dele, a opiniao dele, hoje o que ele diria faz parte de mim, nao e' palavra, e' carne, sangue e espirito. Indelevel.De tanto amor que sinto, nao ha espaco para a dor...

22 de dez. de 2009

Último Depoimento de Nahim Ahmad

Copiei do blog da minha irmã, Adelita Ahmad, a transcrição da último depoimento escrito de meu pai. Nas palavras da minha irmã aconteceu assim:

Saindo da Casa Tomada, no segundo dia de performance, eu entro no quarto 912 do hospital 9 de julho. Ele me entrega o seu caderno de anotações e diz para mim: “Leia em voz alta”.

Eis o depoimento:

“Depoimento:
São 5 horas da manhã no hospital. Não cerrei os olhos essa noite. Experimento hoje a finitude do homem em todo o meu ser.
Respiro com um só pulmão e graças a Deus eu respiro.
Tusso a noite toda para me convencer que estou vivo e que jamais me deixarei levar pelo entreguismo, a maior tentação do homem doente.
Tenho repetido para mim mesmo que os homens não nasceram para morrer, mas para viver.
A morte será apenas a travessia de uma ponte.
Alguns minutos de inconsciência, porque do outro lado estará o espírito do tempo, da energia quântica e do infinito que a primavera criou dentro dos homens. Primavera de flores, frutos e imensidão incomparáveis porque o inverno, a estação da construção, já não existe mais.
Fascina-me cada vez mais a visão da luz, experiência que projeta os homens no tempo e no espaço de um mundo sem fronteiras e limitações, contornos e caras, moléculas e átomos.
Depois que recebemos a poeira das estrelas e o DNA das águias e beija flores não existe para os homens senão um caminho e um destino.
Voar em direção as constelações mais longínquas de todos os planetas. Porque é lá que mora o infinito dos homens, o conhecimento da terra, dos mares e de todo o universo”

Nahim Ibrahim Ahmad

Homenagens a Nahim Ibrahim Ahmad

Até hoje me surpreendo com homenagens ao meu pai. Como esta carta de uma mãe de alunos publicada no jornal Aqui:

PROFESSOR
Quando alguém muito especial parte, deixa uma lacuna que só o tempo e as lembranças ajudam a preencher. E o que hoje é saudade doída, se transforma em lembrança doce e suave. Assim, inicio esta minha homenagem ao Professor Nahim Ahmad, dizendo-me imensamente honrada por tê-lo conhecido há sete anos - quando buscava um colégio para matricular meus filhos. Um cidadão cuja paixão e crença no imenso poder transformador da educação, me contagiou imediatamente. Era uma manhã quente de primavera, em meados de novembro, quando pisei pela primeira vez na recepção do colégio. Os atendentes estavam todos muito ocupados e um jovem senhor, com as mangas da camisa dobradas, ofereceu-se para apresentar-me as instalações do colégio e, assim, iniciamos uma pequena ‘viagem' que jamais esquecerei. Impressionei-me com a enorme estrutura daquele estabelecimento. A proposta educacional me encantou, mas o que realmente me chamava a atenção era a erudição, o entusiasmo, a alegria e a crença inabalável no ser humano, que Nahim demonstrava sentir. Seus olhos brilhavam ao falar de seus sonhos de educador. Suas palavras saíam feito música, de fortes acordes, e retumbavam pelos corredores e recantos especiais do colégio. E foi ao afirmar, categoricamente que educação e amor jamais poderiam caminhar em separado, que compreendi que ali era o lugar para os meus filhos. Que naquele colégio eles iriam passar os 14 anos mais importantes de suas vidas e naquele dia, eu firmei comigo mesma o compromisso de mãe e de parceria com a educação de meus tesouros mais preciosos. Assim, nestes últimos sete anos, todas as minhas expectativas e de meus filhos têm sido alcançadas, por um esforço necessário e conjunto de um grupo de educadores e profissionais que, regidos por um grande maestro, declinam doces e intensos musicais. E hoje, entristecida por saber que não teremos mais as brilhantes palestras com as quais o professor Nahim nos brindava em todos os eventos do colégio. Sabendo que sua figura sempre cheia de vida e que seu semblante sempre cheio de brilho e sorrisos não mais nos acompanharam no dia a dia do colégio. Mesmo assim, não posso deixar de expressar toda minha satisfação por ter encontrado no Colégio Progresso o espaço precioso para o desenvolvimento dos talentos, das potencialidades e da felicidade de meus filhos. Assim, creio que a missão de professor Nahim apenas começou. Seu legado está aqui pulsante e presente em cada um de seus alunos, sementes plantadas e de seus colaboradores, zelosos cultivadores. Como mãe e educadora, rendo minhas mais emocionadas homenagens a esse ser humano sem igual.
JAQUELINE RUZA

Leia os comentários dessa matéria

16 de dez. de 2009

Quando disseram que ele morreu

Eu preciso lembrar
Por medo de esquecer
Ele esteve aqui há tão pouco tempo
Faz tão pouco que seus olhos se abriam e fechavam
E que havia dor e também vida
Faz tão pouco e mesmo assim temo esquecer
Mesmo sabendo que lembrarei para sempre
Das mãos quentes, presentes,
Voz de palavras certas
Para preencher silêncios
Onde se dissipava a esperança
O olhar sábio para mim
Mesmo quando eu ainda era criança
E o ouvido
Por onde minhas palavras soavam como profecias
E ele as ouvia
Mesmo quando eu tinha apenas seis...
Parece ainda que posso vê-lo outra vez
Parece ainda que está aqui
Ao alcance do abraço
Fazendo no peito esse laço
Minha alma está atada
Minha mente está ligada
E ele vivo comigo
Meu pai
Mas também meu melhor amigo.
Como pode ter ido
Se ficou aqui dentro vivo?

15 de dez. de 2009

Meu orgulho...



Um discurso recente do meu pai. Em 15/09/2009

Entre a saudade e a beleza

Eu não me pareço em nada com alguém que perdeu o pai.
Eu ganhei um pai, por trinta anos.
Lágrimas correm só de saudade, não de dor.
Só de emoção, não de sofrimento.
Impressiona-me notar o quanto ele é amado, admirado.
Entre a saudade e a beleza eu moro. Vivo feliz!

14 de dez. de 2009

Obrigada!

Tantos e-mails, mensagens, comentários aqui no blog, no orkut, no facebook... Infelizmente não estou conseguindo responder a todos mas está tudo comigo, aqui dentro, me dando ternura para continuar e mais força para realizar o que me espera. Muitos sonhos pela frente! Obrigada!

12 de dez. de 2009

Aviso

Aviso: A missa de setimo dia do meu pai será amanhã (13/12/2009) às 20h na Igreja Matriz em Guarulhos.

11 de dez. de 2009

Meu pai foi, mas ainda está aqui...

Nahim Ibrahim Ahmad foi educador por mais de 50 anos. Nasceu no primeiro dia do ano 1936 em um lugarejo que não está no mapa, chamado Gurupá, que pertence ao município de Promissão, próximo de Lins, no interior de São Paulo. Ficou orfão de pai e mãe muito cedo e ainda adolescente iniciou seus estudos no seminário. Estudou Filosofia, Teologia na Universidade Gregoriana de Roma, fez estágio na Universidade de Louvain, na Bélgica e retornou ao Brasil após 5 anos de estudos na Europa. Ainda se formou em Direito e Pedagogia. Como padre sempre esteve ligado a educação, lecionando, mas também celebrou muitos casamentos. Com o tempo a vontade de constituir uma família se tornou cada vez mais latente e Nahim desistiu do sacerdócio para continuar sendo fiel a si mesmo e aos seus princípios. Nesta época recebeu o convite de uma amiga ex-freira, Zaira, para vir a Guarulhos onde juntos assumiriam a direção de uma escola. Foi em 1971. Da cidade Nahim nunca mais saiu. Uma vez viu uma moça passar e sentiu que se casaria com ela. Mas por anos não a viu mais. Quando conheceu sua esposa Avanil lembrou-se daquele instante ocorrido anos antes. Ela era a moça que vira passar. Meses depois se casaram e com ela Nahim realizou o tão profundo desejo de constituir uma família. Tiveram 3 filhas: Aline, Andreza e Adelita. Em Guarulhos Nahim edificou seus sonhos ligados a educação, ao esporte e a arte. Foi diretor-presidente do Colégio Progresso Centro, reitor da UNIFIG-UNIMESP e sempre se orgulhou do título de professor que carregou por toda a vida. Completaria 74 anos no próximo dia primeiro de janeiro. Foi um homem otimista, com uma contagiante vontade de viver que o fez surpreender a medicina e o destino que o câncer parecia escrever em sua vida. Desafiou a ciência e a história e provou que sua força, alegria e sabedoria eram capazes de fazerem nascer para ele novas manhãs. Era comum que trabalhasse após duras e longas sessões de quimioterapia, como se quisesse dizer ao seu organismo enfermo que o seu espírito estava saudável. E estava. A mente, a alma e o sentimento deste homem jamais se abalaram, eram motivo de exemplo e inspiração para todos de seu convívio. Seu pulmão parou de respirar, o coração parou de bater, mas de alguma forma indelével Nahim Ibrahim Ahmad continua vivo na memória e no intimo de todos que tiveram a felicidade de o conhecer.

Ele, de tão encantador que era, ficou encantado...

3 de dez. de 2009

Entre a tristeza e a beleza

Meu pai, a pessoa que, ao lado da minha mãe, é a mais fundamental para que eu seja quem sou hoje, está hospitalizado... E eu, claro, estou triste.
Mesmo assim ainda encontro alegria em muitas coisas da vida, que é muito mais bela do que triste.
Meu pai continua sendo mestre e me ensinando a cada dia. Ainda agora acariciou meu rosto.
Acho que a minha ausência está justificada.
Orações sao bem-vindas!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...