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19 de out de 2008

Luto por Eloá, Luz pela humanidade

O blog ficou de luto.
O Brasil acompanhou pela TV o pior desfecho possível de um caso de cárcere privado. Eu não esperava por isso. Acho que ninguém esperava.
Não dá para escrever neste blog como se nada tivesse acontecido.
Quando tragédias assim são exaustivamente mostradas pela mídia e causam tamanha comoção na sociedade sempre me pergunto "quantas outras tragédias podem estar acontecendo o tempo todo sem que sejamos atingidos e tocados da mesma forma?"
Vi um trecho de uma entrevista da diretora do hospital em que Eloá foi internada, ela dizia que embora houvesse mudança na rotina do hospital por conta do assédio da imprensa os esforços eram para que nada mudasse no atendimento aos mais de 200 pacientes. Pensei comigo "quantas outras vidas sofrem, choram, doem...?"

Na quinta-feira estive em um hospital e presenciei uma mãe que levava o filho para o tratamento de quimioterapia. Ele estava esperando deitado no colo dela. Ela olhava para o nada e lágrimas caíam de seus olhos. Senti naquela mãe a vontade de trocar de vida com o filho.

Na entrevista das páginas amarelas da Revista Veja dessa semana acabei de ler a entrevista do filósofo francês Luc Ferry, cuja qual ele fala sobre o sagrado. Acima das religiões estão as famílias. O conceito de sagrado se determina através daquilo pelo qual podemos dar a nossa vida. E não há pai que não sacrifique a sua pela prole. Senti isso nas lágrimas daquela mulher no hospital. Sinto isso no abatimento dos pais de Eloá que mal puderam acompanhar o caso. E vejo a grandeza da humanidade que chora. Ainda que vivamos em um mundo violento e injusto, há mais almas complacentes que deitam em seus leitos tristes ao saberem que em alguma parte do planeta há tristeza em algum semelhante.

Ainda na entrevista do Luc Ferry ele cita o sociólogo alemão Max Weber que costumava dizer que era possível encontrar os valores tradicionais no código do mar. Segundo o código um comandante de navio deveria morrer com sua embarcação em caso de náufrago ainda que todos os passageiros e tripulantes fossem salvos. A conclusão da metáfora, afirma Ferry, é que hoje ninguém mais está disposto a morrer pelo casco do navio, mas somente pelos passageiros que ele abriga.
Talvez seja esse um progresso da humanidade, uma luz para nos orgulharmos entre os motivos de lágrima que temos.

Sobre o papel da mídia neste caso vale ler o Querido Leitor

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