Se esta é a sua primeira vez neste blog leia na coluna da direita as instruções!

29 de mai de 2009

O Amor - por André Comte-Sponville

Andre Comte-Sponville foi o responsável por uma das melhores palestras que já assisti. Comentei suavemente sobre o assunto aqui.

Ele esmiuçou o amor o definindo através de 3 aspectos representados pelas palavras gregas:

- Eros

- Philia

- Agape


Eros
Vamos começar por Eros, um dos aspectos do amor.
A palavra Eros é conhecida por suas derivações: erotismo, erótico... entretanto não está somente ligada a sexualidade. Eros é o Deus do amor. Traduzindo do grego seria a paixão amorosa.

[Neste momento André fez um comentário que causou risos na platéia. Eros seria o amor que o marido sente pela esposa antes que eles se casem. E vice-versa]

O assunto foi tratado por Platão em seu texto "O Banquete". Trata-se dos dialogos ocorridos durante um jantar em que amigos se reuniram para falar sobre o assunto mais belo: o amor! Obviamente, por serem homens, não estavam ali para fazerem confissões, trocarem confidências, como fariam mulheres. Concentraram-se na idéia do amor. De todos que se pronunciaram as falas mais marcantes foram a de Sócrates e Aristófanes. Dos dois o discurso mais citado até hoje é o de Aristófanes. Contudo não é o que Platão mais gostava. Platão colocou na boca de Aristófanes as palavras cuja as quais ele discordava, até mesmo porque para ele Aristófanes teria cometido um pecado capital ao tecer em sua peça "As Nuvens" severas críticas a Sócrates. Por outro lado, na boca de Sócrates Platão colocou justamente o pensamento em que acreditava só que por ser menos poético, mais pessimista, foi a fala que ficou menos conhecida, uma fala que se aproxima do real, enquanto que a de Aristófanes seria o amor em um contexto ideal. Sócrates falava, da verdade do amor, das desilusões amorosas. Aristófanes era um poeta, descreve um amor ilusório. Contou uma história em que cada homem e mulher eram duplos no início dos tempos. Com quatro braços ao invés de dois, com quatro pernas, dois rostos (um na frente e outro atrás), dois sexos de homem ou dois sexos de mulher. Sendo que havia também os andróginos com dois sexos, um de homem e outro de mulher. Uma vez homens e mulheres decidiram escalar o céu para questionar os deuses. Claramente eles não gostaram disso e foram contar a Zeus, todo-poderoso, que também ficou furioso. Só que Zeus não podia acabar com os humanos, porque ele gostava dos templos dedicados a ele, gostava da adoração que os humanos manifestavam pelos deuses... Então teve a idéia de cortá-los ao meio, assim ficariam mais fracos, jamais conseguiriam escalar o céu novamente, ao mesmo tempo seriam em maior quantidade e provavelmente existiriam mais templos e mais adoração. Primeiro mistério resolvido: não temos quatro braços [risos].

Nesta história está incutida a idéia de "metade". Cada um é metade e tem apenas uma metade perfeita para completar-se. Seria o fim da solidão encontrar-se com a outra metade e ambos serem felizes para sempre. Neste caso os andróginos, com um sexo feminino e outro masculino, teriam se tornado os heterossexuais e os homens e mulheres que repetiam o mesmo sexo seriam os homossexuais.

Nesta história há também a explicação para o desejo de fundir-se, de reunir-se com o objeto amado.
(Continuo em breve)

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...