Há 20 anos ela tinha sido sua aluna. Por isso tanta emotividade. Por isso o coração batia e o olhar transbordava quando pensava nela. Desejava sucesso, realizações. Afinal um aluno, não importa quanto tempo passe é sempre uma flor desabrochando de uma semente lançada em uma aula. Como era bom ver a aprendiz florescer! Em cada pétala que se abria, em cada perfume que sentia, sabia que eram vestígios do sonho bom que tivera quando a mulher era ainda criança, era ainda sua aluna com 8 anos e duas tranças que adornavam o rosto.
Depois de 20 anos é natural que as funçõe se misturem, não se sabe mais quem aprende, quem ensina, se tornaram parceiras. Mas naquele dia em especial ela precisava dizer, ainda faltava uma lição. (E sempre vai faltar, porque nunca estamos prontos. Nunca estamos findos. Somos humanos de passagem e nosso ser também é passageiro e mutante durante o caminho.)
Algumas palavras estavam presas na garganta pedindo para voar. Então olho nos olhos daquela que já fora sua aluna e com os olhos repletos de lágrimas disse, com toda sinceridade de seu sentimento:
- Você é iluminada! Não entendo como ainda não escreveu um livro... Acho que você ainda não encontrou a forma, se vai ser através de livros, de palestras, da TV, mas eu sinto que você tem uma mensagem, já falamos sobre isso.
A aluna sabia. Uma mensagem estava latente sob sua pele. Como transmitir? O tempo a ensinaria...
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Nesta história a aluna, ex-aluna, eterna aluna, sou eu; e a professora se chama Alzira. Hoje em dia ela trabalha comigo como coordenadora e sempre se emociona ao falarmos disso....
Um comentário:
Pintas com as palavras fascinante telas de sublimes humanidades...
Doce beijo
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