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24 de set de 2008

Homenagem a Nahim I. Ahmad

A segunda-feira foi "o dia"!
Fui trabalhar pela manhã. À tarde fui a um evento da escola (uma entrega de troféus) e consegui intercalar uma escova no cabelo e a compra de alguns itens de maquilagem que queria usar à noite. Fiquei feliz por conseguir fazer todo o planejado.

Cheguei atrasada no Adamastor, tive que esperar minha irmã que tinha se atrasado na vinda de São Paulo por conta do trânsito. Quando entrei o auditório já estava lotado! Fiquei feliz e ao mesmo tempo preocupada pelas pessoas que estavam esperando. A cerimônia começou em seguida.

Cerimônias formais são sempre muito chatas, até mesmo embevecidas de significado.
Assim que compus a mesa pude observar todas as pessoas presentes. Via o tédio em muitos rostos. Essa é uma preocupação que tenho quando vou falar em público. Para mim não é dever de ninguém me dar atenção. A responsabilidade de ser agradável é minha. É um respeito que tenho com a platéia. Mesmo sendo meu pai o homeageado eu estava consciente de que não usaria o tempo daquelas pessoas para isso. Homenageio meu pai todos os dias e sempre que posso. Ali, diante daqueles olhares era preciso mais, o público tinha que participar também. Quem fala o que vem na cabeça sem se importar com o tempo que toma e com o interesse de quem ouve é como se ignorasse a existência e importância de alguém que nos aquece com um pouco de atenção. Foi assim que fui moldando meu discurso. Eu já tinha me decidido em falar de improviso, para usar mais a emoção do momento. Pensei em contar parte da história do meu pai, mas já tinham feito isso por mim. Por terem tomado já bastante tempo daquelas pessoas presentes fui cortando meu discurso de forma que sobrou dele só a parte emotiva. Sem tempo para decorar a poesia que fiz especialmente para a ocasião recorri ao soneto que mais tenho guardado na memória (do sentimento): Soneto de Fidelidade. Aprendi-o quando cantava "Eu sei que vou te amar" nas minhas aulas de canto, no passado. Cantar não aprendi até hoje mas concluí que se pedisse a participação das pessoas eu as envolveria e seríamos todos um só, um só canto, uma só voz.

Assim que me chamaram pedi para quebrar o protocolo e brinquei que me posicionaria a frente da mesa porque tinha me vestido tão bonita para ocasião que queria que todos me vissem. Todos riram. Continuei:

- Minhas grandes paixões são a educação, a poesia e a criança. Isso transcende qualquer protocolo...
Faço homenagens ao meu pai todos os dias, sempre que estamos juntos, hoje só é diferente porque vocês estão aqui. Agradeço muito a presença e por podermos compartilhar essa homenagem. Mas vou precisar da ajuda de vocês. Vocês conhecem a música "Eu sei que vou te amar"? Sou muito desafinada, preciso que vocês cantem comigo. Vou dedicá-la ao meu pai e cada um de vocês pensem em alguém que amam muito e cantem a essa pessoa da mesma forma.


Recitei o poema e ao final falei e me emocionei ao dizer:

- Eu só estou aqui por sua causa! Eu só existo porque você existe! Muito obrigada!
Eu te amo!


De todas as vezes que falei em público foi a que mais recebi elogios, abraços calorosos e olhares emocionados. Isso me deixou muito feliz. Consegui tocar as pessoas assim como o momento merecia. Meu único remorso foi não ter chamado minhas irmãs para cantarem comigo. Eu as amo tanto que queria compartilhar com elas o que senti, o que transmiti e todos os abraços e elogios que recebi durante a noite. Muita gente chorou.

Além do discurso do meu pai e do vídeo de depoimentos, um ponto forte da noite foi a apresentação da nossa Orquestra Sinfônica do Colégio Progresso Centro. Nossa, foi tão lindo, fiquei tão orgulhosa! Eram 95 músicos, todos estudantes, a maioria crianças, alguns adolescentes. O professor foi brilhante apresentando e explicando cada detalhe da aprendizagem. Valorizou o acontecimento:

"- Hoje acontece aqui um fato histórico. É a primeira vez que o Adamastor recebe uma Orquestra de alunos. Todos aqui são estudantes! Todos! Eles estão aprendendo há no máximo 2 anos e no mínimo 8 meses. E apesar de ter passado muitas vezes por este palco como violinista hoje é o dia em que me sinto mais nervoso, mas também é o dia em que estou mais feliz!"

Foi uma noite mágica e emocionante!

2 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Obrigada pelas gentis palavras, Aline. Em casa, vivemos um pesadelo por conta do meu irmão, que foi operado duas vezes seguidas e o será de novo daqui a 15 dias. Nesse intervalo, pretendo descansar, tanto emocional quanto fisicamente, pois ficava de vigília.
Espero que vc esteja bem, pelo que vejo está sempre na ativa.
Um beijo,
Renata

blog do dudu santos disse...

Aline, gostaria de conhecer mais sua poesia, onde posso encontrar, sou filho de poeta, que aliás amanhã será homenageado no Palacio do Governo, pelo Prêmio Fundação Bunge,na área de literatura, entendo o que fala no seu texto, odeio homenagens!mas....tenho que estar
bjo do artista

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