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5 de jul de 2009

Rosana Hermann

Adoro a Rosana Hermann. Alguns textos eu gosto mais.

Inquietação
A inquietação da adolescência é dolorosa. A gente não sabe o que vai ser do nosso futuro. Não sabe nem como vai ser nosso corpo. A gente só sabe que vai ter um futuro e que ele é muito maior do que todo o nosso passado multiplicado algumas vezes.
A inquietação dos vinte anos é deliciosa. Produtiva ou não, louca ou não, tudo é festa. Ou acaba em pizza, ou em sexo, ou em ambos. Ter vinte anos é uma benção. E, de certa forma, a gente sabe disso na ocasião.
Os trinta anos trazem inquietações contundentes. Já estamos vivendo o futuro, somos sexualmente ativos, temos trabalhos e amores. Mas as perguntas são outras. São sobre os rumos e resultados. Será que o relacionamento vai dar certo? Vamos ter filhos? Estou na carreira que eu queria? Será que devo mudar tudo? Começar outra coisa? Dá tempo?
Enquanto nutrimos nossas inquietações humanas, ora em linha reta, ora em círculos, ora perdidos, o tempo vai passando. Chega-se rapidamente aos 40, mesmo que você não acompanhe no espelho a chegada das suas rugas.
Os quarenta anos marcam o meio do caminho, como na frase do Inferno de Dante: no meio do caminho de minha vida...
Sim, porque, o esperado é viver até os 90. A analogia da partida de futebol. Até 45 estamos no primeiro tempo. Tem muito jogo ainda.
O problema é que a gente não sabe quando o Juiz vai apitar ou vai nos expulsar de campo. Pode ser a qualquer hora, com ou sem falta, com ou sem penalti.
Não falo isso com amargura, mas com a certeza de que temos que ser o melhor possível hoje. Todo dia. Agora. Sempre. Hoje, li uma frase sábia do Walter Longo - a gente não pede pra nascer e morre sem querer. Por issos, temos que aproveitar bem o intervalo entre as duas coisas.
Estou aqui, no trabalho, pensando nisso, escrevendo, esperando, pensando, ligando, vendo coisas domésticas, resolvendo questões de trabalho. Mas sempre ligada no fato de que tudo isso que aqui está é passageiro, efêmero, como eu. E que pode acabar num sopro.
Por isso, vamos respirar profunda e lentamente. Aproveitando esse dom que é viver e absorver o ar. Foi assim quando chegamos ao mundo. E vimos a luz. E respiramos o ar. E abraçamos nossa mãe. E vimos que a vida é boa.´E devemos agraceder por ela todos os dias em quue estivermos aqui.

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