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29 de ago de 2008

A Borboleta e a Pedra

Uma vez prometi transcrever aqui esse texto.
É uma história. E por sua beleza é também um poema.
Ela aconteceu. É um fato real que se desvenda na leitura e que tem um sentido pessoal para mim, e espero que adquira algum para você também.

A BORBOLETA E A PEDRA

A borboleta um dia encontrou a pedra.
Não tinha sido sempre uma pedra,
Mas de tanto levar pancada
A sua casca endureceu.

A borboleta colorida só voava
Eis que naquele dia viu, lá embaixo, a pedra
Viu que por uma fresta ela brilhava
Enxergou, em meio a superfície dura,
Um pontinho pequeno que ainda luz refletia.

Imaginou que aquela pedra
Talvez tivesse sido borboleta um dia...

A pedra contava histórias
De um mundo que ela (borboleta)
Não conhecia (ou jamais vira)
Pessoas de casca ainda mais dura
Onde a luz não alcançava ou refletia
Onde a dor tinha endurecido até a alma.

Contava sobre um mundo cinza
Que a pedra tentou colorir
Antes de virar pedra.

A borboleta nunca tinha ouvido essas histórias
Muito menos notado que este mundo cinza existia mesmo,
Só sabia enxergar colorido...
Cantava para a pedra canções mágicas,
A pedra sorria levemente,
Mas continuava triste e endurecida
(Não é fácil ser feliz depois da dor)
A pedra já tinha visto muita injustiça
Muitas borboletas endurecendo como pedras brutas
Muitas pedras rolando até o fundo do abismo
Nem imaginava que um dia
Uma borboleta colorida ali voando chegaria
Iluminada na escuridão por sua última fresta de luz
Que sobrara da superfície embrutecida.

Viu que a borboleta era bela
Tinha olhos que brilhavam e pareciam frágeis como as asas,
Porque sempre chorava,
Até sem motivo aparente.
A borboleta era tão delicada e feminina,
Demonstrava tanta fraqueza
Que a pedra demorou a entender
Que aquele singelo sorriso
E também a lágrima cristalina
Eram também sua maior força.

Depois disso, a superfície da pedra foi se desfazendo em cacos
Descolando da pele, enquanto uma asa empoeirada se desdobrava.

A borboleta admirada confirmou o sonho
De que aquela pedra dura tinha sido um dia tão encantada quanto ela,
Só que com asas ainda maiores.

As duas deram-se as mãos e alçaram um vôo longo.
Saíram do abismo,
Encontraram planícies repletas de flores,
Árvores e cachoeiras.
Precisavam da luz do sol e das estrelas
Para voltar ao abismo e trazer as pedras que ficaram.
E fariam isso, inevitavelmente, no dia seguinte...

A história termina aqui mas para mim ela continua dessa forma, com uma espécie de dedicatória:

... E foi assim que eu o conheci
Eu borboleta, você pedra,
Com a imensa vontade de voarmos juntos,
Hoje, sempre e no dia seguinte...
(Em que voltaríamos para levantar vôo com a humanidade ao nosso lado).

3 comentários:

beto melodia disse...

olá, aline.

os meios e os motivos para nossa evolução, tão bem retratados nessa bela história, mais real do que muitos a julgam capaz de ser.

beijos em seu coração e um ótimo fim de semana.

mundo azul disse...

Muito linda a sua história! Que essa borboleta conserve sempre as asas brilhantes e coloridas...

Beijos de luz e o meu carinho!!!

Marcelo Martins disse...

Normalmente é a mulher que sente medo do amor, ela se fecha em casulos e diz não conhecer um amor verdadeiro, e diz ter apenas sofrido e teme amar outra vez.
Interessante isso da mulher ter tirado o homem desse abismo. Digo isso porque os homens constumam se jogar de cabeça com mais facilidade. É da natureza feminina ser frágil e demorar mais tempo para curar as suas feridas.
Nunca me fechei em casulo nenhum mesmo tendo sofrido tanto por amor.
Talvez eu seja partidário da frase que diz que uma dor de amor só se cura com um novo amor.
Lindo conto verídico, e que vocês dois tenham aprendido que só vale a pena amar se existir reciprocidade e confiança.
Digna de aplausos a sua coragem.

Beijos

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