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5 de ago de 2008

Últimos dias de viagem

A visão foi tão mágica que precisamos de alguns segundos apenas observando, na tentativa de fazer o corpo se acostumar com tanta beleza deslumbrando o olhar. Foi em vão... A gente jamais se acostuma com a natureza, tem sempre algo novo, a estréia eterna que faz com que cada pôr-do-sol seja único.

Já tinha anoitecido e descemos o morro de carro para jantar. Em um feriado conhecemos um restaurante japonês em Itaguá (Sushi Ya Sun) que havia nos deixado vontade de voltar. Lá, entre poucas mesas, há apenas uma em que é possível acomodar-se em almofadas no chão para degustar deliciosos sushis. Em especial o hot roll, o melhor que já comi, vem para a mesa tão quente que chega a queimar a boca. Neste dia fomos os últimos a ser atendidos, em seguida o restaurante fechou. O shushiman é muito talentoso, não deixa nada a dever aos melhores sushis de São Paulo.

O sábado, 26/07/08
Acordar naquele lugar é uma experiência merecida para qualquer alma. A paisagem fica ainda mais linda com o azul do céu contrastando com o azul do mar. Olharmos de longe, do alto, é como ter uma parcela da visão de Deus sobre os "mortais". Como se a vida acontecesse lá embaixo enquanto estivéssemos suspensos, além da vida, transcendendo os acontecimentos.
O café da manhã é servido um andar acima em uma sala de vidro. Mamão, pães, queijo, suco... Daniela, a dona do espaço, sempre separa um pedaço de mamão para os pássaros virem comer na varanda. Ouvindo o canto deles nos alimentamos para seguir o dia no paraíso.

O Du me levou para conhecer algumas praias e se martirizou ao observar ondas prontas para o surf. Só quem já ficou em pé sobre uma prancha no mar sabe o que significa perder um único dia sem esse deleite. Sou ainda aprendiz, não sinto a falta que ele sente de vivenciar esse ritual de "fazer amor" com as ondas, pela tamanha comunhão com a natureza que o esporte proporciona.

Em um cruzamento da estrada, entre uma praia e outra, ele viu ao longe o semblante dela, no carro que esperava para entrar em nossa pista. Ela é a amiga de quem tanto já tinha ouvido falar. A sua melhor amiga que foi morar na Espanha. Anos de amizade durante a faculdade. E o último encontro tinha sido justamente no dia em que saiu comigo pela primeira vez. Despediu-se dela rapidamente enquanto contava os detalhes sobre o término de um namoro e teve no encontro comigo uma das noites mais estreladas da vida. Conversamos naquele dia sob um céu de estrelas ocultas iluminados por uma lua clara. Mas isso é assunto para uma outra história. O fato é que tinha visto a amiga, Karina, logo ali. Anos depois. Tanto tempo sem vê-la.

"- Vamos seguir e tentar falar com ela!", falei logo. Ele abriu passagem e a seguimos por alguns quilômetros tentando chamar a atenção buzinando. Só quando fizemos tchau e ela enxergou pelo retrovisor é que emparelhamos e ela viu o amigo. Parou o carro, abraçou-o com força e me disse o quanto o ama. Salientando que é o único amigo homem que ela tem. Falei que dele também ela é única amiga mulher, pelo menos com esse nível de intimidade, para sorte minha. Combinamos um encontro mais tarde.

Acabamos indo, eu e ele, para o Félix tomar um pouco de Sol. Ventava. Coloquei a camiseta de manga comprida para me esquentar. Fiquei ouvindo o mar, conversando, olhando as pessoas que passavam. Ele ficou ao meu lado e se lamentou algumas vezes vendo os surfistas aproveitarem aquelas ondas sendo quase egoístas. A mesma onda não volta. Para cada surfista cada onda é um objeto exclusivo. Nunca será a mesma. A onda que se quebrou na areia não volta mais...

Almoçamos em um restaurante chamado Peixe com Banana. Já era bem tarde, final de tarde para ser mais exata, então nos recolhemos naquele pedaço de paraíso, no morro.

Saímos com o céu escuro e o tempo frio invadindo a região. Fomos para um pub que não me lembro o nome. Brindamos com vinho ao som de música ao vivo sob uma árvore na parte externa do lugar.

Quando estávamos para ir embora lembramos da Karina. Ela já devia estar indo dormir, mas concordou em nos encontrar. Precisavam colocar o assunto em dia. Fomos para um bar de poucas pessoas. Algumas jogavam bilhar. Lá nos estendemos pela madrugada como se não quiséssemos que aquele instante tivesse fim. O tempo passou enquanto estávamos rindo e contando histórias, inclusive a de como eu e o Du nos conhecemos. Karina ouvia. Também nos falou da Espanha e de tudo que viveu no velho mundo. Fomos embora embriagados de alegria... É, a alegria às vezes embriaga.

Domingo
Já começava a clarear o dia quando fomos dormir, pouco antes das 6h da manhã. Levantamos às 10h para o café. Voltamos o dormir. O dia lá fora por mais lindo que estivesse não era suficiente para vencer uma certa dor na cabeça. Evidência de quem tinha exagerado um pouco...

Depois de três horas e meia de viagem chegamos em casa. Já estávamos com saudade. Por mais paradisíaca que seja a viagem vai entender o que tem a nossa cama, que mantemos pela vida essa imensa vontade de voltar para ela...

2 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Oi, querida:
Postei sobre o filme "Caráter" e como sei que você tem bom caráter, apareça por aqui:
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
não há ponto depois de www
Um abraço,
Renata
PS: As suas uvas estão lá

Brownie disse...

"There's no place like home!"

Beijos,
Aline Alves

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