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14 de jul de 2008

Silvana e Orlando


Meu namorado leciona na periferia de São Paulo em uma escola pública há anos.
Lá conheceu amigos especiais, também professores de Educação Física.
São bem mais velhos, talvez uns 20 anos, ainda assim a amizade é como de irmãos. Sinto que eles também tem um lado paternal com o Du. Natural, porque o conheceram quando era um moleque, aliás fisionomia que meu namorado mantem até hoje.[Risos]

Os tais amigos (Clóvis e Orlando) são casados e felizes. Têm esposas simpáticas e sorridentes, uma convivência deliciosa que ganhei de presente. Acabei conhecendo mais Orlando e a mulher, Silvana, porque o filho deles veio estudar no Progresso.

Orlando e Silvana
Orlando é muito bonito, alto, grisalho, pele bem clara. Tem o sorriso leve, alma pura. É o tipo de pessoa confiável, para quem seríamos capazes de dar a senha do cartão de crédito sem conferir o extrato depois. A sua presença transmite calma e serenidade. A mulher é o oposto. Silvana é morena de pele jambo, tem o sorriso largo e brilhante. É elétrica, charmosa e irradiante. A sua presença transmite alegria, vibração e liderança. Juntos eles se completam de uma tal forma que a gente deseja ser igual. Sempre fico admirando os dois.

Ontem conhecemos o sobrado novo que acabaram de comprar. Lindo como eles merecem, para abrigar a família e os amigos, como no churrasco que nos ofereceram. Tudo novo, móveis, azulejo, paredes... Em uma rua tranquila, um lar aconchegante.

Lembro-me de uma conversa em uma ocasião que estive na antiga casa do casal. Não me recordo exatamente o que estávamos aguardando. Sei que fiquei sozinha com ela na sala e que sairíamos em seguida.


[Corta, vamos para outra cena anterior, depois voltaremos para essa]
Antes disso
Desde o começo de meu namoro o Du me falava de seu Encontro de Jovens. Fazia aproximadamente 10 anos que ele tinha feito e isso tinha sido tão marcante em sua vida que as mensagens e lembranças continuavam indeléveis. Dizia que era uma pena eu não ter participado e que agora não seria mais possível, porque eu não tinha mais idade. Uma vez comentando com o Orlando sobre o quanto desejava que a namorada participasse do Encontro (realizado pelas paróquias da igreja católica) soube que não havia impedimento algum, e mais, ele e Silvana eram os organizadores do Encontro e faziam questão de falarem comigo para que eu fizesse parte. Meses depois participei de um dos mais emocionantes finais de semana de minha vida.

No sofá da sala
Silvana me confidenciou os anos de felicidade no casamento, os filhos crescidos, até que um dia o casal pensou: "Fizemos tudo isso, construímos uma relação tão linda, filhos tão especiais, e agora? O que vamos fazer agora?" Decidiram que ainda tinham muito a fazer. Muito a fazer pelos outros. Pelos outros casais. Pelos outros filhos. E com lágrimas nos olhos ela me disse que encontraram um novo sentido para o casamento deles. Desde então participam ativamente da organização de encontros de casais e de jovens, assim tentam resgatar ou, até mesmo, plantar nos outros a semente sagrada da felicidade e do amor que já está germinada neles. Tem dado certo!

Na cozinha
Enquanto lavava a louça do churrasco Silvana me contou da dificuldade para encontrar aquele sobrado. Uma das casas que visitaram era de um rapaz de 28 anos que ia vender para fazer um outro negócio. Já era a terceira casa que ele vendia. Isso a fez refletir com o marido: "Puxa, em 20 anos de casada nunca tivemos uma casa nossa e esse rapaz de 28 anos já vai vender a terceira casa!" Orlando, na ocasião, olhou para a esposa com um amor imenso e disse:
"Silvana, se desde que casamos nós nunca tivemos uma casa é porque nós VIVEMOS. Não tivemos uma casa mas nós vivemos, nós viajamos, acampamos, criamos nossos filhos, fizemos trilhas, curso de mergulho. Nós vivemos!"

Os olhos dela sorriram e o coração aqueceu. O meu também.


A casa nova
Moravam na casa herdada dos pais de Orlando. A casa seria vendida para dividir o valor com a outra herdeira irmà dele. Precisavam encontrar outro lar rapidamente.

Deve ser difícil ter um prazo para encontrar uma casa. Nunca passei por isso. Nasci morando em um apartamento e me mudei ainda bebê para a casa que vivo até hoje.

Enfim encontraram uma ótima casa no mesmo bairro, negociaram, foram organizar os trâmites do financiamento no banco. Nesta fase o dono liga e avisa que vendeu a casa para uma outra pessoa. Desespero! O tempo ficou mais curto. Silvana passou a pedir um sinal divino, uma orientação.

Quando visitaram um sobrado ela viu uma mancha no azulejo e achou estranho, quis conhecer o do lado, que era idêntico, da mesma construtora. O marido ainda disse: "Mas é igual!" Mesmo assim foram. Ao sair ela olhou para o alto da rua e avistou ao longe a torre de uma igreja. Logo abaixo da cruz estava pintada a imagem de Cristo de braços abertos. Não era uma coincidência banal. Era a mesma imagem usada no Encontro de Casais (em cada encontro é estampada na camiseta uma imagem diferente de Jesus). Recebera o sinal. Deveria ser ali o seu novo lar.

Da varanda do quarto do casal é possível ver Jesus. Em qualquer lugar da casa e nos olhos da família também.

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